JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Pensar, comer e conservar

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Dia Mundial do Meio Ambiente 2013 - Pensar.Comer.Conservar

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DIA MUNDIAL DO AMBIENTE - PENSAR.COMER. CONSERVAR - 5 DE JUNHO - PNUMA - ONU

DMA 

“Lo que separa la civilización de la anarquía son solo siete comidas.”

Provérbio Espanhol

 

O “Dia Mundial do Meio Ambiente” será comemorado mundialmente com o lançamento da campanha que tem por tema “Pensar, Comer e Conservar” lançada pelo “Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)”, a 5 de Junho.

A campanha tem por objectivo a sensibilização da população mundial para os efeitos nefastos do excesso de comida adquirida e/ou confeccionada e não consumida, com reflexos não apenas nos bens alimentares em si, mas também nos aspectos financeiros e económicos e na inutilidade dos elementos que compõe o ciclo da sua produção, como os fertilizantes e pesticidas, o combustível usado no transporte e na maior emissão de metano resultante de comida estragada, um dos gases de efeito de estufa que contribui para as alterações climáticas.

A campanha que se inicia é uma componente importante da questão mais urgente que a humanidade enfrenta no presente século e milénio e quiçá em toda a história, a da real capacidade do ser humano de manter o seu sustento a nível alimentar, quando em 2050 o planeta atingir o limite máximo em população que será de 9 mil milhões de pessoas, procura e necessidades.

Trata-se igualmente, de um elemento de reflexão tardio, sobre as consequências prováveis da incapacidade do ser humano de se auto-sustentar, pois o mundo atingiu níveis de produção e consumo impensáveis, traduzidos no esgotamento massivo de recursos naturais não renováveis e renováveis, pondo em perigo a subsistência das gerações futuras.

O actual estado de insegurança alimentar no mundo, faz que cerca de 870 milhões de pessoas sofram de subnutrição crónica, número que continua inaceitavelmente elevado, sendo que a sua grande maioria vive nos países em desenvolvimento. Os avanços registados na redução da fome desde 1990, foram pronunciados, tendo estabilizado com a crise financeira ocidental de 2007 e 2008.

Os resultados revistos fazem que o “Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM)” de reduzir para metade a subnutrição existente no mundo em desenvolvimento seria possível, se forem adoptadas as medidas apropriadas em termos de investimento para compensar a desaceleração registada no período da crise.

A recessão económica sequente não permite que tal investimento possa ser efectuado de forma desejável, agravando mais o problema da subnutrição, atingindo os países desenvolvidos. A cada minuto morrem cinco crianças de fome no mundo e cerca de 500 milhões podem vir a padecer de doenças graves devido à subnutrição crónica até 2030. Uma em cada quatro crianças no mundo sofre de desnutrição, enquanto outros esbanjam a comida muitas das vezes pela gula de “mais olhos que barriga”.

As crianças que sobrevivem apresentam sérias deficiências. O mundo tem estado surdo quanto às advertências expressas dos especialistas em agricultura, água, energia, comércio, alterações climáticas e demais questões correlacionadas. O mundo tem ignorado a constelação sinistra de factores que fazem o consumo e a alimentação da humanidade de forma sustentável a mais urgente tarefa, mesmo em tempos de crise económica e climática.

Os Chefes de Estado e de Governo e os representantes ao mais alto nível de diferentes países e organizações reuniram-se na “Conferência de Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)”, celebrada em Junho de 2012, para reiterar o seu compromisso comum de velar pela promoção de um futuro sustentável desde o ponto de vista económico, social e ambiental para o planeta e para as gerações presentes e futuras.

A agricultura e a erradicação da fome ocuparam um lugar central, sendo uma das principais prioridades da agenda internacional. O Secretário-geral da ONU, no decorrer da reunião “Rio+20”, anunciou o “Desafio Fome Zero”, fazendo um apelo para acabar com a fome no mundo.

O investimento na agricultura e na sua qualidade tem um papel fundamental na construção de um futuro melhor e é uma das formas mais eficazes de promover a produtividade agrícola, de reduzir a pobreza e de melhorar a sustentabilidade ambiental.

A persistência de níveis elevados de subnutrição em todo mundo e a tendências na subida dos preços dos alimentos, a produção e o consumo dos produtos agrícolas confirmam que a agricultura mundial deve enfrentar importantes desafios nas próximas décadas, nomeadamente o de satisfazer o crescimento da procura, cada vez mais desenfreada, devido ao aumento da população mundial e ao esbanjamento, e de contribuir para a erradicação da fome e desnutrição, e conservar os recursos naturais dos que dependem da agricultura.

O mundo necessita da agricultura para sobreviver. Os desafios só poderão ser superados se o crescimento da produtividade agrícola for estimulada e o esbanjamento do consumo dos bens alimentar reduzido. Garantir mais e melhores investimentos na agricultura, constitui a pedra angular desses esforços.

A população do planeta a começar por nós, que queira entender o que os nossos filhos e netos irão enfrentar nas suas vidas, devem parar de imediato com o consumo desnecessário permitindo que no futuro tenham capacidade de se alimentarem. É um desafio extremamente complexo e perturbador. Existe solução e a história faz-nos recordar que os seres humanos são altamente adaptáveis e imaginativos ​​quando está em jogo a nossa sobrevivência.

 Um banquete de dezoito pratos, donde constava caviar, ovas de ouriço-do-mar, suculenta carne de Quioto, enguias raras, trufas e champanhe francês, entre muitas outras iguarias, preparado por sessenta chefes de cozinha, obsequiou os Chefes de Estado e de Governo da França, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Itália e Japão, durante uma reunião do G8, que teve lugar a 5 Julho de 2008, em Hocaido.

O final do banquete foi marcado por um comunicado conjunto dos lideres dos oito países mais ricos e poderosos do mundo, discordando da subida de preços globais de bens nos supermercados do mundo desenvolvido, espalhando fome na África e Ásia, mostrando-se preocupados com o aumento acentuado dos preços globais dos alimentos e com os problemas de acesso aos mesmos por parte de alguns países em desenvolvimento, situação que ameaçava a segurança alimentar global e cujos impactos negativos dessa tendência podia fazer regressar de novo milhões de pessoas à pobreza. 

Tal declaração emitida pelos líderes do G8, mostrava a sua confusão e espanto pelo surgimento repentino do fantasma da escassez dos alimentos, depois de décadas de aparente abundância e preços baixos. Tratava-se de um problema que claramente pensado teria sido resolvido. A sua declaração embaraçosa admitiu algumas aprovações; a primeira ao insistir nos principais aumentos em ajuda alimentar global, os líderes tacitamente admitiram que os países desenvolvidos não cumpriam as suas promessas quanto ao combate à pobreza, constante dos “Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM)” estabelecidos em 2000, pela ONU e a serem atingidos em 2015.

A segunda, ao convidar o mundo a reverter o apoio em queda ao desenvolvimento agrícola e pesquisa, implicitamente confessaram que os tinham deixado deteriorar e em terceiro, no exigente sistemas de alerta precoce de segurança alimentar, os líderes do G8, admitiam que tinham sido apanhados de surpresa pela emergente crise alimentar e não gostaram.

Existem poucas questões que desagradem mais um político que uma situação imprevista, pelo que a boa medida foi a de passar o problema para a “Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura” exigindo a sua “profunda reforma”, presumivelmente pelo pecado de terem deixado de chamar a sua devida atenção, que teria emitido as habituais e prévias advertências.

É neste intrincado e irresponsável jogo de política internacional que se pretendem conseguir soluções para o complexo problema da crise alimentar, da pobreza e da subnutrição e que o “Dia Mundial do Meio Ambiente” seja o impulsionador de actividades que promovam o consumo sustentável.

 

Jorge Rodrigues Simão, In “HojeMacau”, 31.05.2013

 

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